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03/09/2026

Juros elevados não travam expansão do crédito imobiliário

Números recentes confirmaram projeção otimista feita há poucos dias pela Abecip

Os números mais recentes relativos ao crédito imobiliário custeado pela poupança ratificaram a projeção otimista feita há poucos dias pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip): em julho, o volume somou R$ 21 bilhões, montante 76,7% superior ao registrado em julho do ano passado. 
 
Já no acumulado dos sete primeiros meses do ano, os financiamentos via poupança alcançaram R$ 115,5 bilhões - alta de 36,3% quando comparados aos R$ 84,8 bilhões contabilizados em igual intervalo de 2025.
 
Conforme havíamos destacado em agosto (relembre aqui), a Abecip reviu sua projeção para a expansão do crédito imobiliário no país em 2026. De uma alta de 16% anteriormente prevista, a entidade espera, agora, que o volume alcance R$ 411 bilhões e cresça 25% na comparação com o ano passado. 
 
Um dos motivos para a revisão é o impulso dado ao Minha Casa, Minha Vida (leia mais aqui), que respondeu por metade das vendas de imóveis residenciais novos no primeiro semestre deste ano.
 
Apetite mantido
Fato é que a Selic não tem comprometido o apetite do brasileiro por crédito imobiliário. A explicação é simples: a maior parte das operações de crédito é custeada pelo FGTS e pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cujas regras independem do comportamento dos juros. 
 
Para 2026, a Abecip estima que o FGTS e o Fundo Social do Pré-Sal alocarão R$ 195 bilhões em recursos para essa finalidade. Se a projeção se concretizar, o volume será superior, portanto, aos R$ 185 bilhões previstos pelo SBPE para a compra de imóveis acima de R$ 600 mil - também neste caso, o percentual de crescimento foi revisto, de 15% para 18%; no primeiro semestre, a expansão registrada chegou a 29% e o volume emprestado totalizou R$ 93,7 bilhões.
 
Tais resultados têm sido creditados ao avanço do emprego e da massa salarial, além do incentivo concedido à população de baixa e média renda pelo MCMV, que têm contribuído para aumentar a procura pela casa própria, mesmo diante da elevada taxa de juros.
 
Já os financiamentos habitacionais custeados por recursos livres deverão se manter em patamar semelhante ao registrado em 2025: em torno de R$ 31 bilhões. 
 
Regras próprias
A expansão da oferta de recursos não implica, contudo, em financiamento imobiliário mais barato. O custo do crédito permanece elevado, embora a taxa não acompanhe as variações da Selic.
 
A composição das fontes explica a diferença. Linhas financiadas com recursos do FGTS e programas habitacionais estão sujeitos a regras próprias e, portanto, são menos afetadas pela taxa básica de juros se comparadas a operações abastecidas por captações realizadas junto ao mercado financeiro. 
 
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do Portas)
 
 

 

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