A alta progressiva nos preços de venda de imóveis residenciais sinaliza um movimento de aceleração do mercado imobiliário no país. Em abril, o crescimento registrado foi de 0,51%, antes 0,20%, 0,32% e 0,48%, respectivamente, em janeiro, fevereiro e março, de acordo com o Índice FipeZAP.
O comportamento dos preços foi o mesmo em 55 de 56 cidades pesquisadas e em 21 de 22 capitais. As maiores variações foram contabilizadas em Campo Grande (1,87%), Vitória (1,48%), Natal (1,37%) e Aracaju (1,24%). São Paulo e Rio de Janeiro, por sua vez, cujos preços subiram, respectivamente, 0,19% e 0,34% em abril, se situaram abaixo das capitais do Norte e Nordeste, que registraram as maiores elevações.
Quando considerados os quatro primeiros meses do ano, Belém (4,46%), Vitória (4,38%) e Campo Grande (4,29%) são as cidades em que os preços mais subiram, o que indica uma reconfiguração do mercado.
Outro dado revelado no levantamento é a preferência dos consumidores por residências menores, tendência que vêm se consolidando ao longo dos últimos meses. Em abril, imóveis de um quarto foram os que mais se valorizaram, ao passo que unidades com quatro ou mais dormitórios registraram a menor variação. Segundo o Índice FipeZAP, o resultado ilustra tanto a demanda por imóveis mais acessíveis quanto a busca por liquidez e potencial de locação por parte de quem compra para investir.
Juro alto e crédito caro ainda inibem compradores
Ainda assim, o acumulado do ano não alcançou a inflação medida pelo IPCA. De janeiro a abril, os preços variaram 1,53%, enquanto o IPCA, medidor oficial de inflação, avançou 2,83%. A comparação mostra que, a despeito da recuperação, as ainda elevadas taxas de juros e o custo do crédito imobiliário têm freado um desempenho ainda melhor.
Em 12 meses, contudo, o ritmo do mercado imobiliário superou a inflação. Enquanto o Índice FipeZAP acumulou alta de 5,63%, o IPCA não passou de 4,62%. Isso significa que o segmento se mantém como um ativo de proteção de valor, a despeito da volatilidade que tem caracterizado a economia brasileira.