A depender de alguns fatores, o mercado imobiliário brasileiro pode reprisar o crescimento consistente registrado em 2026. Essa foi a avaliação expressa por especialistas do setor durante a Convenção Loft/Portas, realizada na última semana, em São Paulo (SP).
A projeção está ancorada no fato de que, mesmo com a elevada taxa de juros, 2025 ratificou a consistência da demanda por moradia e foi um ano considerado histórico para o setor. Mais de 450 mil unidades foram lançadas em todo o país e as vendas superaram 420 mil imóveis, números que fizeram com que o VGV (Valor Geral de Vendas) ultrapassasse R$ 260 bilhões.
Além disso, o preço dos imóveis subiu 18,6%, índice bastante superior ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que variou 4,26%. Ou seja, as vendas não cresceram somente em volume, mas em valor apurado.
Poder de compra
Ainda segundo especialistas, caso a taxa Selic comece a cair de forma consistente, o poder de compra das famílias aumentará e a tendência é que também cresça a procura por bens de maior valor - que dependem de crédito de longo prazo - e as vendas acompanhem o ritmo. Simultaneamente, a entrada de capital pode dar impulso a novos lançamentos, compra de terrenos e investimentos em escala. Em outras palavras: se o ambiente macroeconômico estiver favorável, o setor tem tudo para viver um novo ciclo de expansão.
Risco fiscal
Atualmente, o crédito imobiliário não ultrapassa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, ao passo que, no Chile, o percentual equivale a 28%. E os especialistas entendem que o país reúne todas as condições para alcançar o nível chileno, desde que a taxa básica de juros recue, assim como a percepção do risco fiscal, que levaria os investidores a cobrarem menos para financiar o país e a reduzirem a pressão sobre o câmbio e os juros futuros.