Em 2025, o desempenho das construtoras no Brasil foi superior ao PIB da construção civil. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) da Fundação Getúlio Vargas aponta que as empresas do setor registraram expansão de 2,8% no período. Em contrapartida, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB da construção variou 0,5%.
Há uma explicação para a diferença: o cálculo do IBGE leva em conta obras realizadas por pessoas físicas, como autoconstruções e reformas, segmento que apresentou recuo em 2025 e puxou para baixo o resultado consolidado da construção civil. Isso em razão da taxa de juros elevada, que fez com que as famílias pensassem duas vezes antes de recorrer a financiamentos para construir ou reformar, enquanto as construtoras continuaram a ter acesso a taxas mais favoráveis para levar adiante seus projetos.
Ainda de acordo com especialistas, o bom desempenho das construtoras se deveu à demanda do programa Minha Casa Minha Vida e a obras de infraestrutura, que compensaram a retração nos lançamentos residenciais dirigidos à classe média. A expansão se refletiu no emprego, que cresceu 3% em 2025, com a criação de 87,8 mil postos de trabalho formais.
No primeiro semestre deste ano, em razão das obras públicas realizadas em período pré-eleitoral, o mercado segue aquecido, mas, para os seis últimos meses do ano, a expectativa é de desaceleração, também em razão do ritmo lento de queda da Selic.