Ao padronizarem o registro eletrônico com base nos parâmetros previstos na Instrução Técnica de Normalização n.º 4/2026, do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), as serventias extrajudiciais contribuirão, de imediato, para tornar mais ágil a análise de crédito pelos bancos. Mais adiante, é esperada uma redução do spread bancário cobrado nas operações imobiliárias, em razão do ganho de eficiência que a nova sistemática irá proporcionar.
A ITN n.º 04/2026 define como atos, documentos e informações devem ser estruturados pelos 3.621 cartórios de registro de imóveis dos estados e do Distrito Federal que operam o Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI).
Hoje, uma mesma operação (compra, venda ou financiamento de um bem) pode ter nomes, formatos e estruturas que variam conforme o estado, uma vez que os oficiais de registro têm liberdade para redigir os atos, o que obriga as instituições financeiras a manter equipes dedicadas, por exemplo, à interpretação de certidões de imóveis oferecidos como garantia. "Às vezes, há normas e orientações locais para padronização que criam ?despadronização? com os sistemas de outros locais, com textos, nomenclaturas e estruturas usadas", afirmou o vice-presidente do ONR, Fernando Nascimento, em entrevista à edição desta terça-feira (9) do jornal Valor Econômico.
Com a padronização, será gerada uma versão estruturada e atualizada para a leitura das máquinas e as intervenções humanas diminuirão. O registrador de imóveis ilustra: "Um financiamento imobiliário, que costuma ter várias etapas, ir e voltar entre o banco e o cartório, pode ter o prazo reduzido. O processo tende a ficar mais rápido e, consequentemente, mais barato". E, a partir do momento em que o custo para operacionalizar o financiamento se tornar menor para o banco, a tendência é que a taxa de juros caia.
Obstáculos
Ainda de acordo com o registrador, é possível que surjam obstáculos ao longo do percurso, que, no entanto, não deverão comprometer o objetivo final. "Os cartórios vão fazer adequações nos sistemas, os bancos também, além de todo o mercado imobiliário. Corretores, despachantes, advogados, tabelionatos. Mas a gente acredita que vai ser um processo natural e orgânico. O mercado de certa forma já esperava esse movimento, já demandava essa estruturação", concluiu.