Pesquisa publicada pela Fundação João Pinheiro (FJP) apontou recuo, pelo segundo ano consecutivo, do déficit habitacional no país, se consideradas todas as regiões brasileiras. Norte, Nordeste e Centro-Oeste contribuíram para a queda, enquanto Sudeste e Sul registraram aumento. Em dezembro de 2024, o déficit de moradias no Brasil era de 5,77 milhões, volume correspondente a 7,4% dos domicílios ocupados.
Ainda conforme o levantamento, o recuo tem sido gradual, após o pico registrado em 2022, ano em que o déficit alcançou seis milhões de moradias. O bom desempenho é creditado, em parte, à retomada do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), no ano seguinte. Em dois anos, o recuo foi de 7,1%. No período, foram entregues 923,9 mil moradias por meio do MCMV.
A pesquisa
Intitulada "Déficit habitacional e inadequação de moradias no Brasil", a pesquisa da FJP leva em conta o comprometimento excessivo da renda com o aluguel urbano, a habitação precária e a coabitação. Em 2023 e 2024, todos esses componentes registraram baixa em termos absolutos.
Do atual déficit de 5,77 milhões de moradias, 3,59 milhões (62,14% do total) se referem a domicílios cuja renda familiar não supera três salários mínimos e o comprometimento com o aluguel é maior que 30%. Já habitações precárias englobam domicílios rústicos, cujas paredes externas não são de alvenaria, taipa com revestimento e madeira aparelhada, também classificados como improvisados. Coabitação entre famílias, por sua vez, caracteriza domicílios que abrigam mais de um núcleo familiar e adensamento superior a duas pessoas por dormitório.