O incremento das captações de recursos junto ao mercado deverá sustentar o crédito imobiliário em 2026 e ocupar cada vez mais espaço nas carteiras, em lugar da poupança. A conclusão foi expressa por executivos do mercado financeiro durante o Brazil Investment Forum, evento realizado nos últimos dias 7 e 8 pelo Bradesco BBI. A alternativa mais utilizada tem sido as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que acompanham as taxas de juros de longo prazo.
Na prática, a mudança tem exigido que as instituições financeiras recorram a diferentes fontes para financiar suas carteiras, dada a dessintonia entre a expansão do crédito e a evolução da poupança. Enquanto as carteiras imobiliárias têm crescido dois dígitos por ano, a poupança tem recuado.
Em março, a propósito, a caderneta de poupança registrou mais saques do que depósitos. As saídas foram superiores às entradas em R$ 11,1 bilhões, segundo relatório divulgado no último dia 9 pelo Banco Central.
Expectativa positiva
Para 2026, se espera um crescimento de 15% do crédito imobiliário na comparação com 2025, ano em que, a despeito dos juros elevados, a modalidade se mostrou resiliente e correspondeu ao aumento da procura por moradia.
Presente no evento, o representante da Caixa Econômica Federal disse que o banco tem a expectativa de que este seja o melhor ano do crédito imobiliário para a instituição e para o país. A projeção se apoia especialmente na ampliação do orçamento e na diversificação das fontes de recursos.
O banco espera dispor de R$ 144 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e de outros R$ 30 bilhões via fundo social, além de R$ 97 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), ante R$ 64 bilhões disponibilizados no ano passado.