Notícias

11/10/2023

[Encontro Irib 2023] A construção de um futuro possível

Palestrantes destacam que equilíbrio só será possível de forma institucional e interconectada.

O painel ?Criando futuros possíveis para o Registro Imobiliário?, realizado no segundo dia do XLVIII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil, propôs uma reflexão sobre as possibilidades abertas para a atividade registral imobiliária. Com mediação da diretora de Comunicação do RIB, Caroline Feliz Sarraf Ferri, o painel contou com falas da futurista, pioneira em economia criativa, especialista em novas economias, Lala Deheinzelin, do vice-presidente do RIB, Sergio Ávila Doria Martins, e considerações do presidente do RIB, Flaviano Galhardo. 

A discussão foi aberta com a apresentação da futurista Lala Deheinzelin. Com reflexões racionais e objetivas, Lala sensibilizou os registradores sobre os movimentos de evolução da humanidade, que trazem mudanças em aspectos humanos, sociais, tecnológicos, ambientais e econômicos, alertando sobre os impactos irremediáveis que eles gerarão para os registradores de imóveis. ?O futuro não é uma ampliação do passado, é algo novo. A gente precisa dessa lente [sobre o futuro] porque este não é o momento para se fazer mais do mesmo. E que bom que vocês não estão fazendo mais do mesmo. É o momento de se pesar o que a gente conserva, o que é importante, e, ao mesmo tempo, é hora de inovar.?  

De acordo com Lala, existem três tipos de futuros, o futuro provável, foco do trabalho de muitos futuristas que analisam tendências e que tende a ser algo mais paliativo, visto que o futuro não é previsível; os futuros desejáveis, em que entra em cena um processo de cocriação para atender a todos; e os futuros possíveis, com uma visão preventiva para dar espaço a possibilidades. ?Por que que é importante pensar futuros? Porque, de fato, a gente está vivendo a maior tensão da história?, comentou. 

Para Lala, momentos de grande mudança são confluência de vários ciclos. Se por um lado não é possível prever o futuro com precisão, por outro é possível compreender as forças que moldam tudo, como as mudanças de padrão de redes; os fluxos de poder; a forma como é pensada a propriedade ? que em alguns momentos é só privada e, em outros, inclui o que é comum e de todos, como a água, o ar etc. ?Nas grandes transições, esse comum tem um papel muito grande. Então, vocês têm um campo infinito referente ao registro dele?, comentou, enfatizando a relação com a atuação dos registradores. 

A futurista também citou o ciclo geracional e os ciclos relacionados ao equilibro do planeta, aos movimentos econômicos e, por último, o de equilíbrio entre o que é mais convencional e o que é mais inovador. ?Estamos em transição. O que estamos vendo atualmente é o princípio disso. Vamos seguir com muita turbulência até 2026. A partir de 2027, provavelmente, tudo estará muito mais diferente do que a gente imagina?, alertou. 

Por isso, ela sinaliza que o momento atual é de se organizar institucionalmente, pois assim será possível moldar lugares melhores nesse futuro em construção. Por meio de um objetivo chamado ?Torus?, Lala demonstrou que a construção desse futuro comum, equilibrado, só é possível de forma interligada e interdependente. ?Se tenho um sistema e mexo em apenas um aspecto dele, digamos financeiro, distorço o sistema. Faço uma força danada e quando paro de fazer essa força, a mudança volta para o lugar original. A mesma coisa se atuo só no trabalho, só na tecnologia, só na cultura... ou seja, tenho que trabalhar tudo isso junto, porque é um único sistema. Aí consigo ter fluxo?, destacou.  

Nesse sentido de gerar fluxo, Lala chamou atenção para a importância de se pensar os organismos e instituições em dimensão 4D, em todos os aspectos que os compõem, citando como exemplo o próprio Registro de Imóveis. ?Quais os benefícios de se pensar em 4D? No cultural, a informação, a comunicação e o treinamento estão todos integrados. No ambiental, estão esses sistemas impressionantes que vocês desenvolveram e que seriam impossíveis de se fazer de forma isolada. Isso é um enorme diferencial, toda essa capacidade de parcerias e articulação?, exemplificou.  

Já por meio da analogia entre a praça e a torre, que compõem uma única paisagem, mas com funções diferentes, Lala chamou atenção para a relevância de habilidades complementares na construção de sistemas integrados e equilibrados. ?Precisamos equilibrar as duas coisas. A praça funciona a partir de atividades, a torre gera infraestrutura. Uma cria, outra coordena. Uma tem foco em processo, outra em resultado. Uma está super preocupada com a singularidade, com o que existe de único, com a identidade, o local, e a outra com a padronização. Uma tem foco no intangível, outra no tangível. Dentro das empresas é mesma coisa?, detalhou, acrescentando que os dois sistemas são complementares, não opostos.  

?No caso de vocês, vocês já tão integrando torre e praça, mas podem contribuir mais para que isso aconteça fora do âmbito do setor. Vocês já estão pesquisando inovação em modelos de governança e um desenho de novas normas. Podem intensificar ainda mais isso?, comentou.  

Criando futuros na prática 

Dando corpo prático a muitas das considerações apresentadas na primeira parte do painel, o vice-presidente do RIB, Sergio Ávila Doria Martins, chamou atenção para o trabalho feito pelo Registro de Imóveis do Brasil, que propõe a criação de soluções coletivas e institucionais para a área, incluindo uma marca forte e una. 

Um dos exemplos trazidos foi o Portal do Registro de Imóveis, que se tornou uma grande referência nacional para acesso aos serviços eletrônicos da área, com quase 7 milhões de acessos nos últimos anos. Dentro dele, a ideia é de que o Registro de Imóveis seja algo uno, com a construção de uma marca única e uma coordenação das entidades para haver uma visão de todo. ?Eu sempre digo que o Saec é uma estrutura e uma nomenclatura regulatória. Não é uma marca para nossos serviços. Precisamos filtrar essa complexidade para o nosso usuário?, defendeu.  

Sergio também citou o e-intimação, cujo código foi cedido pelo Colégio Registral Imobiliário de Santa Catarina (CORI-SC) e é usado pelo sistema de crédito de alienação fiduciária. Para complementar a informação, o presidente do RIB, Flaviano Galhardo, também fez algumas considerações. ?O RIB sempre se propôs a ser um cubo de projetos institucionais, na linha de cooperação. É um case de sucesso graças ao CORI-SC, que cedeu gratuitamente o código fonte para o Registro de Imóveis do Brasil, e o RIB cedeu gratuitamente para o Operador Nacional.?  

Durante sua fala, Flaviano chamou atenção para o papel dos registradores como prestadores de serviços, em oposição a um status de profissional do Direito. ?O usuário não quer se comunicar com o Registro de Imóveis por uma nota devolutiva. Tem colegas que pedem para o usuário dar entrada no processo, pois responderá por nota devolutiva. Será que esse é o nosso futuro? Será que isso garante o nosso futuro??, questionou. 

Para ele, a ferramenta de atendimento eletrônico vem justamente para ajudar os registradores nessa iniciativa de atender as pessoas e a dar resposta rápidas, com um atendimento adequado, eletrônico e eficiente. ?Gostei muito da apresentação da Lala porque é exatamente o que a gente está propondo: soluções institucionais para que todos os 3.640 Registros de Imóveis possam se valer desse desenvolvimento?, comentou. 

Outro case apresentado foi o Diário Eletrônico do Registro de Imóveis, que, após um trabalho de unificação feito com a plataforma do IRIB, pôde atender a todos os Registro de Imóveis do país, de forma eletrônica, com um jornalista responsável. ?A gente sugeriu ? e foi acatado no último texto do Minha Casa, Minha Vida ? que não só os editais do Registro de Imóveis sejam publicados. Agora, teremos a possibilidade dos editais para leilões?, informou, em primeira mão, agradecendo ao presidente do IRIB por seu papel fundamental nesse processo. 

Sergio seguiu a explanação apresentando as inúmeras ferramentas e plataformas desenvolvidas para melhoria do Registro de Imóveis nacional. Ao final do painel, a diretora de Comunicação do RIB e mediadora do painel, Caroline Ferri, convidou ao palco as autoridades para a entrega de uma homenagem pelas contribuições ao Registro de Imóveis. Além da diretoria do RIB, foram homenageados: 

  • Jordan Fabrício Martins 

  • Luísa Helena Iung de Lima Bonatto 

  • Flauzilino Araújo dos Santos (a homenagem foi recebida por Bianca Castellar) 

  • João Pedro Lamana Paiva 

  • Ivan Jacopetti do Lago 

  • Alberto Frederico Ruiz de Erechun  

  • Des. Antônio Carlos Alves Braga Júnior 

Mais notícias