Após ter registrado uma queda de cerca de 17% nos financiamentos entre os meses de janeiro e novembro de 2025, na comparação com o ano anterior, o mercado imobiliário brasileiro projeta uma recuperação este ano. A expectativa de aumento do volume de unidades comercializadas está fundada no crescimento da demanda por imóveis e nas novas regras anunciadas pelo governo federal, que deverão injetar R$ 37 bilhões no crédito habitacional em 2026. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o país tem capacidade de crescer 10% nos próximos 12 meses, a despeito da elevada taxa de juros.
O avanço, entretanto, não deve ocorrer de forma uniforme. Enquanto o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue atraindo compradores, a classe média ainda é penalizada pelo custo do financiamento. A projeção é que, em 2025, o MCMV tenha alcançado 600 mil unidades vendidas ? um recorde para o programa ?, enquanto os contratos fechados com recursos da poupança tenham caído mais de 20% no período.
Agora, porém, com a atualização do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, após sete anos sem correção, especialistas enxergam um estímulo ao mercado imobiliário. Além disso, é esperada uma queda da taxa de juros, que, em 2025, alcançou seu nível mais alto em quase duas décadas.
Há, por fim, uma expectativa em torno da faixa 4 do MCMV, criada para atender a população que, até então, permanecia desassistida pelo programa. A modalidade inclui uso do FGTS, prazos mais estendidos e taxas inferiores às praticadas no crédito livre, além da possibilidade de financiar imóveis de maior valor.