A Fundação João Pinheiro (FJP) atualizou os números relativos ao déficit habitacional no país e revelou que, em 2024, faltavam 5.773.983 moradias para os brasileiros, volume correspondente a 7,4% do total de domicílios particulares ocupados. A região Sudeste continuou a responder pela maior parte do déficit (2,35 milhões de moradias), seguida pelo Nordeste (1,46 milhão), Sul (743.170), Norte (673.554) e Centro-Oeste (537.492).
Em relação ao ano anterior, foi registrado recuo de 3,4%. Divulgados na última quarta-feira (10), os dados foram coletados a partir de informações contidas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Entre os estados, São Paulo (1.252.830) concentrava os maiores números absolutos. Em seguida vinham Rio de Janeiro (513.740) e Minas Gerais (506.419), enquanto Acre (22.648), Roraima (28.078) e Amapá (40.300) apresentavam os menores índices.
No recorte por cor/raça, pardos (3,04 milhões) eram os mais prejudicados pelo déficit habitacional, seguidos por brancos (1,85 milhão), pretos (774 mil) e outros (87 mil). Já na classificação por sexo, a falta de moradia afetava, sobretudo, famílias chefiadas por mulheres (3,51 milhões dos domicílios ou 60,9% do total), enquanto homens respondiam por 2,25 milhões (39,1%). Por faixa de renda, o déficit habitacional brasileiro estava concentrado (40,7%) em domicílios com rendimento de até um salário-mínimo - em outros 33,8%, a renda se situava entre um e dois salários-mínimos.
Moradias inadequadas
No que diz respeito à inadequação, os domicílios urbanos que apresentavam algum tipo de impropriedade somavam 27.861.107. Em sua maioria, essas moradias tinham como responsáveis pessoas autodeclaradas pardas (14.055.133), seguidas por brancas (9.715.170), pretas (3.746.985) e outras (337.344).
Já inadequações de estrutura urbana - relacionadas a abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e energia elétrica - foram registradas em 16.719.882 domicílios (24,6% do total), especialmente naqueles cuja renda familiar não ultrapassava três salários mínimos. Mulheres eram responsáveis por 9.266.242 dessas moradias e, homens, por 7.453.641. Também neste quesito, pessoas pardas (9.117.183) lideravam o ranking, seguidas por brancas (5.030.174), pretas (2.376.582) e outras (194.431)
Inadequação fundiária
A pesquisa também trouxe à luz os domicílios que apresentavam algum tipo de inadequação fundiária, situação constatada quando pelo menos um dos moradores detém a posse da moradia, mas não a propriedade total ou parcial do bem, do terreno ou da fração ideal do terreno onde a habitação está localizada. Tal quadro foi identificado em 3.250.536 domicílios.
Destes, 1.981.000 se situavam em regiões metropolitanas, em sua maioria, em São Paulo (807.792) e no Rio de Janeiro (592.072). Além disso, 1.096.926 apresentavam algum outro tipo de inadequação além da fundiária.
Rústicos e improvisados
Por fim, os domicílios rústicos (caracterizados por material predominante em suas paredes externas diferente de alvenaria, taipa com revestimento e madeira aparelhada) somavam 519.579, ao passo que os classificados como improvisados eram 637.255. O Nordeste voltou a apresentar os maiores volumes absolutos de moradias rústicas (207,2 mil) e improvisadas (264,9 mil). Entre os Estados, o Maranhão concentrava o maior número de domicílios rústicos (108 mil), enquanto Pará (84 mil) e Bahia (70,5 mil) sediavam as maiores quantidades de improvisados.