Se até pouco tempo as ações em favor do meio ambiente eram consideradas apenas um diferencial competitivo no campo, agora, elas estão se tornando uma exigência para o acesso a financiamento. Isso porque o setor financeiro passou a considerar fatores ambientais e climáticos nas análises de risco, algo que, segundo especialistas, explica em parte a queda de 16% do volume de crédito rural no primeiro semestre de 2025, ante o mesmo período do ano anterior, conforme foi apontado em levantamento da Serasa Experian, realizado com base no Cadastro Positivo do agronegócio. Ou seja, o risco socioambiental veio para ficar.
O critério ganhou fôlego nas instituições financeiras após a publicação da Resolução CMN n.º 5.193/2024, do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional, que tornou obrigatória, a partir deste ano, a verificação de supressão de vegetação nativa via sistemas oficiais antes da autorização do financiamento. A mesma norma exige que os bancos verifiquem a regularidade ambiental dos imóveis rurais, por meio do cruzamento de informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de órgãos ambientais estaduais.
O objetivo é que propriedades que não zelarem pelo meio ambiente tenham o crédito negado, suspenso ou condicionado à regularização.
Ainda de acordo com a Serasa Experian, os passivos ambientais se concentram em uma pequena parte das propriedades, que, ao terem acesso a financiamento e subsídios em condições semelhantes de quem adota regras de compliance ambiental, prejudicam a concorrência. Por outro lado, empresas e produtores rurais que mantêm dados ambientais atualizados e auditáveis podem obter melhores condições de crédito e taxas mais competitivas junto aos bancos.