A combinação de taxa de juros ainda elevada e desafios estruturais que limitam o crescimento da construção civil tem feito com que o setor imobiliário brasileiro enxergue o próximo ano de forma cautelosa. A previsão foi apresentada em encontro que, há poucos dias, reuniu representantes do segmento em Florianópolis/SC.
Para o curto prazo, a expectativa é de que o mercado siga em expansão, em razão do crédito imobiliário robustecido, graças, acima de tudo, ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e ao FGTS. Para 2027, no entanto, o setor se mostra um pouco menos otimista e acredita que os resultados estarão condicionados a uma melhora do cenário macroeconômico.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta um crescimento de 28% do crédito imobiliário em 2026, apoiado pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e pelo FGTS. Já o desempenho em 2027 dependerá da situação fiscal, pois é ela que determinará o ritmo de queda da taxa Selic.
Na avaliação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que espera um crescimento de apenas 1% no ano que vem, a escassez de mão de obra qualificada e as mudanças decorrentes da reforma tributária são fatores que, ao lado dos juros elevados, podem comprometer o ritmo de expansão.
Previsibilidade
A boa notícia é que, com a aprovação do orçamento plurianual do FGTS até 2028 e a ampliação recente das faixas, o MCMV, considerado o principal responsável pelo crescimento do mercado, ganhou previsibilidade. A utilização do Fundo Social do Pré-Sal no funding do programa e o lançamento do Casa Reforma Brasil, por sua vez, tonificaram o programa.
A Abecip alerta, entretanto, que o crédito imobiliário no Brasil, que corresponde atualmente a 11% do Produto Interno Bruto (PIB), está ainda distante do observado em economias equivalente e que os recursos da poupança serão insuficientes para sustentar a expansão do setor.
Registro de Imóveis do Brasil, com informações do
InfoMoney